Ninguém faz nada sozinho. Essa afirmação nunca fez tanto sentido.

Ninguém faz nada sozinho. Essa afirmação nunca fez tanto sentido.

Esse é o primeiro texto do blog da Transforma e o nosso objetivo aqui é chamar atenção para a importância da troca de conhecimento e da colaboração para a construção de soluções eficientes no enfrentamento e resolução dos problemas mais graves presentes no Brasil e no mundo. 

Pesquisas realizadas por diversas instituições, sejam elas mais informativas e neutras ou representantes de frentes ideológicas distintas, apresentam sinergias no que diz respeito aos obstáculos para o nosso país colocar em prática o desenvolvimento sustentável: acesso à educação de qualidade e à saúde, combate ao desemprego e à violência, respeito aos direitos humanos, conservação do meio ambiente, eliminação da corrupção.

Problemas dessa natureza, com raízes histórico-culturais e tão embrenhados nos tecidos da nossa sociedade e sistemas, não serão resolvidos do dia para a noite, tampouco por um único salvador da pátria. Para resolver tais questões, valores como transferência de conhecimento, colaboração, empatia e vontade de solucionar juntos, por nós e pelo todo, são tão imprescindíveis quanto experiência e técnica. Para quem busca gerar mudança positiva e perene, não há outro caminho. 

Nos últimos anos, a pauta da colaboração tem se tornado cada vez mais forte, principalmente entre as organizações que trabalham com impacto social e ambiental, e também entre governos e empresas. Porém, como tudo que nos parece novo (colaboração também está relacionada ao senso de comunidade que um dia foi parte espontânea da natureza humana) e abala sistemas perpetuados, essa pauta enfrenta dificuldades de realização. Elas vão desde a imposição de uma solução criada por terceiros para realidades que desconhecem e que, portanto, não vai funcionar, até parcerias entre corporações e Organizações Não Governamentais que acabam por se desfazer com o tempo por falta de entendimento, vontade, recursos ou resultados. 

Um trabalho colaborativo envolve alguns fatores essenciais para se transformar em solução. O primeiro deles é entender as possibilidades e os limites reais do contexto em que ele vai acontecer e dos atores envolvidos. O melhor proveito das ferramentas e tecnologias existentes e a inovação de processos e métodos também são elementos essenciais para inserir em instituições e no desenvolvimento de seus projetos, serviços e produtos uma dinâmica colaborativa e de construção coletiva de resultados, em prol da mudança social e ambiental. Trata-se aqui, por exemplo, de dedicar parte dos recursos ao desenvolvimento e manutenção de parcerias reais, que agreguem para ambos os lados. Transformar os ambientes virtuais, já tão explorados, em uma rede de colaboração de fato e não apenas em um palco para desabafos emocionalmente necessários, mas muitas vezes contraproducentes, também pode ser uma forma de avançar. 

O conceito de rede é de extrema importância nessa seara. O que é uma rede senão um conjunto de pessoas, de entidades, afins e conectadas? Qual a sua rede? Quais as conexões realizadas por sua organização ou projeto? Como você pode melhorar? Expandir sua atuação junto com outras organizações?

Outro exemplo interessante, que contribui com nossa reflexão sobre o conceito de colaboração, é a noção de economia compartilhada, baseada na premissa de consumir e utilizar os serviços sem a necessidade de produzir outros. Exemplos disso são os aplicativos como Blablacar e Airbnb. Tal prática só é possível com o compartilhamento e a colaboração. Para Ladislau Dowbor, economista e professor de pós-graduação da PUC-SP, a população aproveita somente 5% do potencial das possibilidades de compartilhamento. No entanto, segundo ele, isso deve mudar. Em entrevista ao UOL, o professor afirmou que “o processo colaborativo vai se inserir, aproveitando as áreas que funcionam melhor na base da colaboração”. A colaboração, portanto, além de conectar pessoas, organizações, possibilidades e mudanças, cria redes inteligentes. Talvez essas sejam sementes para uma volta modernizada do senso de comunidade, se soubermos realmente chegar lá, expandindo para além do virtual, sem deixar de usá-lo.

Já imaginou, então, quantas inovações e soluções podem surgir a partir da lógica da colaboração inserida na dinâmica de empresas e de organizações que querem gerar impacto positivo?

Segundo um levantamento feito pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) em parceria com o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), em 2017, existem mais de 800 negócios de impacto social no Brasil. Número que vem aumentando a cada ano. Além deste levantamento, um estudo realizado pela Ande Brasil mostrou que os negócios que visam impacto social movimentam aproximadamente US$ 60 bilhões no mundo. Só na América Latina foram investidos cerca de US$ 1,3 bilhão instituições do tipo, entre 2014 e 2015.

A maioria dessas organizações tem grande interesse em diálogo e parcerias produtivas com empresas e governos e, muitas vezes, vice-e-versa. Está aí um grande espaço para colaboração e ação, que podem transformar os obstáculos mencionados no início do texto em passado. O blog da Transforma nasce com o intuito de somar a esse espaço, dando visibilidade a especialistas em diversas áreas e temas, de diferentes setores, que trabalham direta ou indiretamente com mudança social, conservação ambiental e desenvolvimento sustentável. Acreditamos que dessa forma novas conversas e parcerias possam surgir e, no mínimo, aprenderemos mais uns com os outros. O blog é seu, nosso, de todos os interessados na troca de conhecimento, experiência e em potenciais colaborações.

Convidamos você a tirar uns minutinhos do seu dia para ler o que profissionais incríveis, dedicados a causas têm para compartilhar com todos nós. Reflexões, ideias, sugestões, abertura para o diálogo e troca. Anote aí: nossos próximos textos foram escritos por Adriano Melo, Coordenador de Projetos na Conservação Internacional, e Thalita Silva, Coordenadora do Engajamundo. Eles tratam sobre a importância dos serviços ambientais e a crise ambiental. Até mais.

Autor: Equipe Transforma.
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